Forma de esforço SUPLEMENTAR.

 
Profissional de Educação Física: Luiz Carlos Chiesa.
CREF 01- Registro 000069-G/ES.
 
            A presente forma de treinamento de musculação; consiste na realização alternada de um conjunto de exercícios para a mesma massa ou grupamento muscular. O objetivo central na alternância entre grupos musculares é potencializar ao máximo a estimulação neuromuscular, e reduzir significativamente o estímulo negativo, que é provocado pela fadiga sobre a contração muscular potente.
            Quando vários exercícios são realizados em sequencia com percentuais de cargas elevados e principalmente, sob intervalos de recuperação aguda reduzidos, haverá paulatinamente a queda na potência das contrações musculares. A queda é provocada em linhas gerais, pelo acúmulo de metabólitos ácidos residuais que reduzem o PH sanguíneo. Níveis elevados de acidez provocam distúrbios na captação de energia para a contração muscular, promovendo redução na condução e transmissão do estimulo central ao músculo, interferindo gradativamente na eficiência da contração muscular local nas fibras de força.
Os intervalos de recuperação durante a fase aguda de treinamento interferem diretamente sobre os resultados dos treinamentos. Quando objetivamos grandes aumentos de força devemos priorizar os intervalos moderados a longos, respectivamente de dois a três minutos ou mais. Os tempos de intervalos moderados e longos são básicos, para o sucesso na aplicação, das “formas de esforço” que visam grandes desenvolvimentos de força e velocidade.
 Encontram-se no quadro (01), as classificações dos períodos de repouso.
            Uma maior atenção deve ser dispensada, no caso de treinamento com intervalos curtos de recuperação, porque “períodos curtos de recuperação podem acarretar maior ansiedade e fadiga psicológicas”. Kraemer & Hakkinen; 2004.
 
Quadro 01
 Duração dos períodos de recuperação durante a fase aguda do treinamento.
(recuperação entre os grupos ou sets).

 

Tempo em segundos
Classificação do período de repouso.
0 a 30 Seg.
Extremamente curto
31 a 60 Seg.
Muito curto
61 a 90 Seg.
Curto
91 a 120 Seg.
Moderado
121 a 180 Seg.
Longo
> 180 Seg.
Muito longo

 

Kraemer & Häkkinen; 2004.
 
            A ordenação dos exercícios é de primordial importância no momento da montagem da série ou sequencia, porque se os exercícios forem agrupados por região ou massa muscular específica, e realizados com intervalos curtos (na fase de recuperação aguda do treinamento), tendem a produzir volumes elevados de ácidos, conduzindo a um estado de fadiga muscular e central significativa, reduzindo a possibilidade de potencializar o treino da força em seus níveis máximos, momentaneamente. Em contrapartida é um meio eficaz no treinamento para o desenvolvimento de resistência especifica muscular localizada e volitiva.
            De maneira contrária ao treino, por meio da “forma de esforço” SUPLEMENTAR, caso o treinamento tenha como objetivo principal a hipertrofia muscular, comumente na série hipertrófica, agrupam-se exercícios por regiões musculares, onde são utilizados intervalos de repouso muito curtos e curtos, estimulando a produção e acúmulo de acido láctico, assim como, liberação de hormônio do crescimento, de beta-endorfina e cortisol.
            “É conhecido que o cortisol e as catecolaminas não são somente metabólitos ativos, mas também levam a uma redistribuição dos glóbulos brancos (leucócitos), apresentando deste modo um efeito imunossupressor”... (Bieger e cols;1980, Fitzgerald;1988, Keast, Cameron, Morton;1988; in Weineck;1999). O artigo intitulado “Musculação pode deflagrar ataques de pânico em pessoas que sofrem do transtorno” publicado em (http://www.educacaofisica.com.br/noticias), chama atenção para o fato de treinamentos de musculação “pesado pode ter o efeito adverso, provocando uma nova crise em quem já enfrenta o problema”, fato desencadeado possivelmente pela produção elevada de ácido láctico, o qual proporciona sintomas parecidos com aqueles vivenciados por pessoas que sofrem do ataque de pânico.
            Portanto baseando-se no parágrafo acima, devemos rever cuidadosamente os períodos de recuperação, assim como a periodização de treinamento, para que não interfiram sobre a saúde e integridade física individual. No caso de individuo que freqüentemente apresenta gripe, resfriado, febre ou lesões, algias corporais variadas, nervosismo, insegurança, estas doenças e transtornos, são motivo para realizar uma minuciosa concentração e estudo, sobre o programa de treinamento geral, observando os fatores relacionados com alimentação, infecções dentárias, e descanso agudo (durante a série) e geral.
            A “forma de esforço” SUPLEMENTAR visa basicamente aprimorar a força e potencia dos grupos musculares que estão em desvantagem de desenvolvimento, por meio de técnicas de treinamento muscular especifico, e assim, potencializar a força dos mesmos, criando uma lógica de treinamento que estimule ao máximo o desempenho, sem interferência de fadiga aguda.
            Quando aplicado racionalmente o conceito primário da “forma de esforço” SUPLEMENTAR, ou seja: alternância de grupos musculares e repouso agudo recuperador moderado a longo; haverá uma resposta maximizada, principalmente dos trabalhos que visam angariar força máxima e força rápida (explosiva ou potencia muscular).
            Segundo Platonov & Bulatova; 2003; o método SUPLEMENTAR é desenvolvido por meio da realização de quatro a seis sets, em um grupo muscular (grupo A). Sequencialmente será realizado o treino sobre outro grupamento muscular distinto (grupo B) e, imediatamente após esta manobra, retorna-se ao grupamento inicial (A), para uma nova estimulação final.
            Na prática, utilizamos no total um conjunto máximo e aproximado, de até 12 sets, por grupo muscular. O treino de dois grupos musculares em cada sessão de trabalho é bem tolerado. Veja exemplo hipotético no quadro (02), o treinamento de dois grupos musculares específicos.
Quadro 02.
Exercícios
Sets
Repetições
Supino reto 90º
2
4 a 6
Supino declinado
2
4 a 6
Rosca direta
2
4 a 6
Rosca Scott
2
4 a 6
Crucifixo supino
2
4 a 6
Voador peitoral
2
4 a 6
Rosca alternada
2
4 a 6
Rosca apoiada
2
4 a 6
 
            No quadro (03 A), encontra-se a série com um volume maior de exercícios, possibilitando um treinamento mais desgastante, obviamente, deve ser utilizado apenas com indivíduos bem treinados, porque o numero de repetições e sets/grupos acumulado é bem elevado. Veja recomendações de numero de repetições para atletas altamente experientes no quadro (04). O quadro (03 B) apresenta outra variação, a qual possibilita um menor desgaste e acúmulo de fadiga aguda localizada.


Quadro 03 A
Exercícios
Sets
Repetições
Supino reto 90º
2
4 a 6
Supino declinado
2
4 a 6
Supino hammer
2
4 a 6
Rosca direta barra
2
4 a 6
Rosca banco Scott barra
2
4 a 6
Rosca máquina
2
4 a 6
Voador peitoral
2
4 a 6
Crucifixo supino
2
4 a 6
Supino com halteres
2
4 a 6
Rosca alternada
2
4 a 6
Rosca apoiada banco Scott Halteres
2
4 a 6
Rosca concentrada
2
4 a 6
 
Quadro 03 B
Exercícios
Sets
Repetições
Supino reto 90º
2
4 a 6
Supino declinado
2
4 a 6
Rosca direta barra
2
4 a 6
Rosca banco Scott barra
2
4 a 6
Voador peitoral
2
4 a 6
Crucifixo supino
2
4 a 6
Rosca alternada
2
4 a 6
Rosca apoiada banco Scott Halteres
2
4 a 6
Supino hammer
2
4 a 6
Supino com halteres
2
4 a 6
Rosca máquina
2
4 a 6
Rosca concentrada
2
4 a 6
 
Quadro 04.
   Numero de repetições por exercícios/ Fase aguda do treinamento
(atletas altamente experientes).
 
 
 
% de carga
Repetições máximas no treinamento
Repetições máximas
por set-grupos
95 a 100
15 a 25
1 a 2
90 a 95
20 a 40
2 a 3
80 a 90
35 a 85
3 a 6
75 a 80
70 a 110
6 a 10
 Hartmann & Tunnemann; 1988 in Bompa, T.O. A periodização no treinamento esportivo. Editora Manole Ltda, São Paulo, 2001.
 
            Outra possível variação, dentre as inúmeras possibilidades, que o treinamento de musculação possibilita, encontra-se no quadro (05). No presente exemplo foi mantido um numero reduzido de exercícios, aplicando-se apenas modificações sobre o volume de sets e repetições.
                                            
Quadro 05

 

Exercícios
Sets
Repetições
Supino reto 90º
3
7 a 10
Supino declinado
3
7 a 10
Rosca direta
3
7 a 10
Rosca Scott
3
7 a 10
3
7 a 10
Voador peitoral
3
7 a 10
Rosca alternada
3
7 a 10
Rosca apoiada
3
7 a 10

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tenho utilizado com bastante sucesso a “Forma de esforço” SUPLEMENTAR. Observo frequentemente um maior conforto na realização da série, e relatos pessoais positivos dos alunos mais experientes, submetidos ao treino, assim como, a representação numérica favoravelmente elevada nos testes de cargas, que são aplicados imediatamente após um determinado período de treino.
Apresentam-se nos quadros (06 A) e (06 B), duas variantes, que possibilitam modificações favoráveis para beneficiar um grupamento muscular específico; nos exemplos abaixo a seguir, a musculatura peitoral será o alvo. A musculatura dos peitorais sofrerá modificação, por meio de elevação no volume, de quatro para seis, o numero de exercícios na série.
Deve-se observar que o volume de sets, também, foi diferenciado do grupamento secundário, respectivamente o bíceps braquial, com a redução para oito sets totais.
 
Quadro 06 A
Exercícios
Sets
Repetições
Supino reto 90º
2
4 a 6
Supino declinado
2
4 a 6
Supino hammer
2
4 a 6
Rosca direta barra
2
4 a 6
Rosca máquina
2
4 a 6
Voador peitoral
2
4 a 6
Crucifixo supino
2
4 a 6
Supino com halteres
2
4 a 6
Rosca alternada
2
4 a 6
Rosca concentrada
2
4 a 6
 
Quadro 06 B
Exercícios
Sets
Repetições
Supino reto 90º
2
4 a 6
Supino declinado
2
4 a 6
Rosca direta barra
2
4 a 6
Rosca máquina
2
4 a 6
Voador peitoral
2
4 a 6
Crucifixo supino
2
4 a 6
Rosca alternada
2
4 a 6
Rosca concentrada
2
4 a 6
Supino hammer
2
4 a 6
Supino com halteres
2
4 a 6
 
A diferenciação de montagem na série nos fornece a possibilidade de executar o treinamento de forma a estimular o organismo permanentemente, tornando o estímulo bastante variado e eficaz, no que se refere a estímulos de treino.
Modificar rotineiramente o treinamento, ou seja, periodizar (veja artigo periodização) possibilita ao organismo a busca por uma nova adaptação. O formato da periodização das cargas é em ondas, onde durante “duas a quatro semanas” em média, treina-se com um percentual de cargas fixo, após este, modifica-se o nível ou percentual de cargas. Ver exemplo hipotético, abaixo escalonado:
(A) 1ª e 2ª semanas - percentual de cargas entre 80% a 89% da força máxima.
(B) 3ª e 4ª semanas - percentual de cargas entre 60% a 69% da força máxima.
(C) 5ª e 6ª semanas - percentual de cargas entre 80% a 89% da força máxima.
(D) 7ª e 8ª semanas - percentual de cargas entre 60% a 69% da força máxima
O período de treinamento com a “forma de esforço” SUPLEMENTAR deve ser estimulado enquanto houver melhorias progressivas e o objetivo estiver sendo aproximado, ou mesmo, até momentos antes de uma estabilização ou acomodação, no desenvolvimento da força. Caso acredite ser de melhor controle, o profissional de Educação Física, deve determinar previamente no PLANO GERAL DE TREINAMENTO, o momento mais oportuno de modificação.
O período de manutenção do formato de séries (sequencia de exercícios) que costumamos usar varia entre quatro a seis semanas, não sendo uma regra fixada obtusamente. Caso o aluno goste e esteja adaptado com a série de exercícios, deve-se permanecer com a mesma durante um período “um pouco maior”. Lembre-se que a satisfação pessoal e gostar do que esta fazendo é muito importante e motivador, ajudando sobremaneira na manutenção dos treinos.
Em média, os treinos são fixados e realizados de duas a quatro semanas, após este período, realizam-se modificações apenas na intensidade (% de cargas, nos pesos), e no volume (repetições, sets), como visto escalonado acima, e principalmente quando utilizamos treinos muito pesados entre 80% a 100% da força máxima individual há necessidade de modificações, ajustes periódicos e avaliação sistemática para controle.
 Não há necessidade de mudanças constantes fixadas a cada semana, ou a utilização unilateral e permanente de qualquer “forma” de treinamento ou de aplicação de cargas. A “forma de esforço” SUPLEMENTAR é mais uma opção disponível para ser aplicada, sempre que a força e velocidade forem alvos a serem melhorados.
Deve-se sempre, respeitar os aspectos e conceitos técnicos básicos do presente método, que acima foram descritos, e aplicá-los de forma coerente e sob estrito ou exato controle, no cotidiano de treinamento.
Um abraço!
 
e-mail: lcchiesa@terra.com.br