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Profissional
de Educação Física : Luiz Carlos Chiesa
Registro CREF1/ES- N.º 000069
As
sensações desagradáveis provocadas por dores, podem alterar definitivamente
o humor, afetando ainda a razão psíquica, tornado-se insuportáveis
para determinadas pessoas. As dores relatadas pelos indivíduos devem
ser vistas com a maior importância e seriedade possível. Na maioria
das vezes, são altamente complexas as origens de dores, principalmente
nos casos de pessoas acometidas por doenças graves crônicas, agudas
e degenerativas, tais como câncer, infarto do miocárdio, artrite
etc.
A
convivência no treinamento físico e desportivo com dores agudas
de origem metabólica e muscular tardia, é um dos muitos fatores
determinantes do sucesso das sessões agudas e acumulativas de treino,
porque possuem a útil finalidade biológica de proteção. Pelo motivo
exposto qualquer relato de dor deve ser considerado e avaliado com
seriedade e cautela, porque a sensação dolorosa é particularmente
relacionada com fatores comportamentais, sócio-econômicos, culturais,
afetivos e cognitivos, tornando-se bastante complexa qualquer avaliação
do nível de dor relatada.
Necessitamos
tomar cuidado em não confundir os estados relacionados à fadiga
e dores agudas ou momentâneas, provocadas por altas concentrações
de ácidos metabólicos durante os exercícios, com dores tardias advindas
do excesso de treinamento ou cargas, assim como lesões provocadas
por traumas ou rupturas musculares.
A
dor aguda relacionada ao ácido láctico cessa imediatamente após
a finalização do exercício, a dor muscular tardia, ao contrário,
chega ao auge 02 a 03 dias após os exercícios, principalmente excêntricos,
Clarkson, Nosaka & Braun; 1992, in Fleck & Kraemer; 1999.
É
sabido que as dores musculares tardias provocadas pelos exercícios
físicos, são mais intensas nos treinos excêntricos e nas contrações
concêntricas máxima de força, onde as avarias nas fibras de contração
rápida são mais evidentes, Bompa, 2002. É do conhecimento científico
que elevadas ações musculares excêntricas, produzem os mais altos
índices de stress e os maiores níveis de lesões musculares, por
ser o uso de tais formas de trabalho físico demasiado desgastante,
há uma grande possibilidade de provocar sobretreinamento.
Folcloricamente
expondo, a D.T.A, aqui retratada como Forma de esforço ou Forma
de aplicação de cargas, confirma a célebre frase "sem
dor, sem ganho" (no pain, no gain), atribuída ao eterno culturista
Arnold Schwarzennegger, é muito popular nos meios de treinamento
contra resistência/musculação; indo um pouco mais além, alguns antigos
treinadores da Rússia, afirmavam : a dor deve ser dobrada e repetida
três vezes.
Mitos à parte, o interessante é que a dor suportada
diariamente por meio de stress mecânico e principalmente metabólico,
dentro dos limites do treinamento consciente e controlado, constitui
um bom elemento para suportar os índices elevados de ácido láctico
e outros substratos energéticos, irritantes da fibra muscular, que
diminuem de maneira aguda ou momentânea o desempenho por meio de
*fadiga no treinamento.
Quadro 01.
|
*Estado de desconforto e diminuição da eficiência resultante
de exercício prolongado ou excessivo. Bompa; 2002.
*É a diminuição
reversível da capacidade funcional, em conseqüência de uma atividade
muscular. Lehmann;1953. in Barbanti; 1986. |
Constitui-se uma forma
eficaz para melhoria da resistência à dor aguda e fadiga, a realização
periódica de treinos com produção de lactato, elevando sobremaneira
a capacidade de desempenho físico e psicológico, em condições desfavoráveis
de remoção do acido láctico e substratos energéticos produzidos
nos exercícios intensos e prolongados.
O ajuste periodizado nos valores dos pesos compatível com as adaptações
individuais, assim como, nos tempos dos intervalos para restauração
parcial das fontes energéticas durante os treinos, e a recuperação
total com restauração ampliada (supercompensação), na fase de repouso
absoluto, possibilita o controle sobre os estímulos básicos, que
podem provocar dores musculares, na fase aguda (durante) e também
tardia (após) do treino.
Os treinamentos com valores de cargas de trabalho que possibilitem
aumentar a tolerância à fadiga, por meio da elevação do ácido láctico
muscular/local e geral/orgânico, produzem também aumentos e melhorias
na resistência psicológica ao esforço. Os reajustes controlados
ou periodizados melhoram sobremaneira o desempenho físico e psicológico,
porque estimulam o individuo a suportar novos ritmos de treinos
com maiores períodos (volume) e cargas (intensidades).
Na Forma de esforço D.T.A, as cargas nos primeiros sets de trabalho,
são fixadas a aproximadamente 80% a 89% e 70% a 79% da força máxima.
O número de repetições será o máximo possível, dentro do número
de repetições equivalente ao percentual de carga escolhido previamente,
vide quadro 02.
Quadro
02.
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Correspondência aproximada entre a carga adicional
e o número máximo de repetições em cada serie nos exercícios
de força
|
|
Apreciação das condições de intensidade
|
Carga adicional(% do máximo)
|
Numero de repetições possíveis em cada serie
|
|
Máxima
|
100%
|
1
|
|
Submaximas
|
90% a 99%
|
2
a 3
|
|
Grande 1a subzona
|
80% a 89%
|
4
a 6
|
|
Grande 2a subzona
|
70% a 79%
|
7
a 10
|
|
Moderada 1a subzona
|
60% a 69%
|
11
a 15
|
|
Moderada 2a subzona
|
50% a 59%
|
16
a 20
|
|
Pequena 1a subzona
|
40% a 49%
|
21 a 30
|
|
Moderada 2a subzona
|
30% a 39%
|
31 e mais
|
Sholik
in Matvéiev; 1986.
Em cada grupo/set as repetições
serão executadas até a FALÊNCIA MECÂNICA
TOTAL a qual não permitirá a realização de nem mais uma
repetição no set. Busca-se sempre a saturação máxima de fadiga durante
os sets de exercícios.
O profissional de Educação Física, deve criar as condições
de estímulo de carga para que haja uma queda dos pesos provocada pela
fadiga aguda. A presente situação é o motivo primário de grande preocupação
e cautela, durante a escolha dos equipamentos. Devemos considerar
sempre, como de fundamental importância, os aspectos de segurança
na formulação das seqüências de exercícios, para a manutenção da integridade
física dos indivíduos. Os exercícios tipo agachamento livre, desenvolvimentos
e supinos com barra livre e halteres, devem ser sempre acompanhados
de perto pelo professor e outros alunos treinados, para que a barra
ou os halteres sejam retirados imediatamente após a falência muscular,
em nenhum momento o aluno ira treinar sozinho ou sem acompanhamento.
O número de grupos/sets por exercício será de no mínimo
02 e máximo de 03 com a carga principal ou a mais elevada. Objetiva-se
com esta atitude atingir um estado de fadiga total a cada set. Será
permitido um intervalo de apenas 1 minuto a 1 minuto e 30 segundos
entre os sets, visando a promover apenas uma recuperação parcial nas
reservas energéticas musculares (os intervalos devem ser sempre mantidos
os mesmos entre os sets, e com a máxima exatidão).
Como exposto acima, os dois ou três primeiros grupos/sets, serão realizados
com uma carga fixa, o terceiro ou o quarto grupo, será realizado com
um percentual de carga reduzido, girando em torno de 70% sobre o peso,
que foi utilizado nos dois ou três primeiros grupos/sets, exemplos
quadros 03 e 04. O número de repetições será sempre o máximo possível
até a falência mecânica total.
Quadro 03.
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Supino
plano
|
Exercício
|
|
1º
|
2º
|
3º
|
Sets/grupos
|
|
70%
|
70%
|
*
|
Percentual
de cargas equivalente
|
|
50Kg
|
50Kg
|
35Kg*
|
Cargas / pesos
|
|
7
a 10
|
7
a 10
|
Máximas
possíveis
|
Repetições equivalentes por
set
|
*carga equivalente a 70% do peso de trabalho dos
primeiros dois sets.
Quadro
04.
|
Agachamento
livre
|
Exercício
|
|
1º
|
2º
|
3º
|
Sets/grupos
|
|
70%
|
70%
|
|
Percentual
de cargas equivalente
|
|
100Kg
|
100Kg
|
70Kg*
|
Cargas / pesos
|
|
7
a 10
|
7
a 10
|
Máximas
possíveis
|
Repetições
equivalentes por set
|
*carga equivalente a 70% do peso
de trabalho dos primeiros dois sets.
Outra possibilidade de
trabalho em D.T.A, são mudanças no número de sets. Os sets não são
definidos previamente, possibilitando com esta modificação deixar
em aberto o número de sets a serem realizados no treinamento. Apenas
predetermina-se o número mínimo de 03 sets, e máximo de 06 sets, sendo
os dois primeiros com cargas fixadas previamente entre 80%
a 89% e 70% a 79% da força máxima.
No caso em que o indivíduo já contraia uma fadiga nos 02 ou
03 primeiros sets, não é justificado ou recomendado iniciar o treinamento
de sets indefinidos.
Os grupos/sets a partir do segundo ou terceiro, mantêm a carga de
trabalho predeterminada em 70%, sobre o valor do peso nos primeiros
sets, exemplo quadro 05.
Quadro 05.
|
Mesa
extensora
|
Exercício
|
|
1º
|
2º
|
3º
|
4º
|
5º
|
6º
|
Sets/grupos
|
|
70
%
|
70
%
|
*
|
*
|
*
|
|
Percentual
de cargas equivalente
|
|
100Kg
|
100Kg
|
70Kg
|
70Kg
|
70Kg
|
|
Cargas/pesos
|
|
7
a 10
|
7
a10
|
Máxima
|
Máxima
|
Máxima
|
|
Repetições
equivalentes por set
|
As cargas de trabalho
reduzidas para a realização dos sets/grupos finais de exaustão na
forma de esforço D.T.A, devem ser de no mínimo 50% a 59%, sobre a
carga máxima do peso utilizado nos grupos/sets fixos, veja exemplo
abaixo.
Exemplo: 100Kg = 70% da força máxima, a carga máxima teórica será
de aproximadamente 142,85 Kg. A carga reduzida deverá ser de no mínimo
50% da carga máxima teórica a qual é igual a 71,42 Kg.
As séries ou seqüências de exercícios devem ser compostas aglomerando-se
movimentos de características similares, visando desgastar ao máximo,
as reservas de energia do grupamento muscular ativo. O número de exercícios
na seqüência/série para cada grupamento muscular é de 03, e com intervalos
de 01 minuto e 30 segundos a 03 minutos entre os exercícios. Os trabalhos
devem ser repetidos no máximo duas vezes por semana em cada grupo
muscular e será prolongado durante quatro a seis semanas.
A interrupção do treinamento visando a não realização do segundo ou
terceiro exercício da série, será permitida e aplicada, quando o indivíduo
não sentir-se recuperado, ou não conseguir realizar, o número mínimo
de repetições previsto para com o percentual de carga equivalente
escolhido, como visto no quadro 03. A interrupção esta vinculada a
tolerância individual à fadiga ou quando um outro fator momentâneo
interferir. O profissional de Educação Física deve ficar atento aos
fatores que compõem o sobretreinamento, vide quadro 06.
Quadro 06
|
Sistema nervoso simpático
|
Sistema nervoso simpático
|
|
Fadiga
fácil
|
Fadiga
fácil (anormal)
|
|
Excitação
|
Inibição
|
|
Alterações
no sono
|
Sono
normal
|
|
Diminuição
do apetite
|
Apetite
normal
|
|
Perda
de peso
|
Peso
constante
|
|
Tendência
a sudação
|
Termorregulação
normal
|
|
Termorregulação
normal
|
Suores
noturnos, mãos úmidas
|
|
Olheiras,
palidez
|
|
|
Tendência
a cefaléias
|
Cabeça
leve
|
|
Palpitações,
pontadas no coração, pressões
|
|
|
Pulso
acelerado
|
Bradicardia
|
|
Temperatura
corporal ligeiramente elevada
|
Temperatura
corporal normal
|
|
Aumento
do metabolismo básico
|
Metabolismo
normal
|
|
Hiperemia
anormal após esforço
|
|
|
Pressão
sangüínea atípica
|
Sob
e após carga, freqüentemente elevação da pressão sangüínea
sistólica > 100
|
|
Restabelecimento
retardado da freqüência cardíaca de repouso após esforço
|
Restabelecimento
circulatório rápido após esforço
|
|
Hiperpneia
anormal
|
Nenhuma
dificuldade de respiração
|
|
Hipersensibilidade
sensorial(principalmente auditiva)
|
|
|
Desenvolvimento
motor pouco coordenado, freqüentemente excessivo
|
Desenvolvimento
motor anguloso e insuficientemente coordenado
|
|
Tempo
de reação abreviado, com numerosas reações erradas
|
Tempo
de reação normal ou prolongado
|
|
tremores
|
|
|
Recuperação
retardada
|
Capacidade
de recuperação boa a muito boa,
|
|
Agitação
interior, excitabilidade, irritabilidade, depressão
|
Fleuma,
humor afetivo normal
|
Israel;
1976 in Weineck; 2005.
A atenção aos aspectos
alimentares, será direcionada principalmente sobre os nutrientes energéticos.
A alimentação baseada em carboidratos é recomendada, inclusive lançar
mão de reposição energética durante os treinos, assim como, fazer
uso de creatina e suplementos alimentares protéicos e vitaminas antioxidantes,
de maneira balanceada, e acompanhada por médico especialista em nutrição
humana.
As dores de característica ácida, tipo “queimação”,
são próprias de fadiga muscular por esforço anaeróbio láctico, caso
apareçam dores nos músculos identificadas por “fisgadas”,
‘agulhadas’ e “pontadas”, são indicativos
para que o esforço deva ser interrompido, assim como rigidez excessiva
nos músculos e tendões, que não permitam a continuidade do movimento
de flexão ou extensão completa, sobre o jogo articular fisiológico.
A forma D.T.A é recomendada aos praticantes dos esportes que requerem
um elevado grau de confiança, motivação e força, com uma paralela
manutenção da fadiga muscular local e geral láctica, como nos casos
dos esportes de combate corporal como o judô, o jiu jitsu e outros.
Obviamente a Forma de esforço D.T.A, deverá ser aplicada apenas a
indivíduos que já treinam há algum tempo, e possuem um razoável desenvolvimento
físico sendo contra-indicada aos alunos iniciantes .
Observação
: Encontra-se no link
Aulas,
uma escala com uma proposta para a medida e classificação da dor.
Bibliografia :
1.
Abordagem da dor na prática clínica.
CREMS- Centro Rodhia de Estudos Médicos-Sociais.
2. Barbanti, V. J. Treinamento físico. Bases cientificas.
São Paulo: C L R Balieiro, 1986.
3. Bompa, Tudor. O. Periodização: teoria e metodologia
do treinamento. São Paulo: Phorte editora, 2002.
4. Chiesa, Luiz Carlos. Musculação aplicações práticas.
Técnicas de uso das formas e métodos de treinamento. Rio de
Janeiro: Shape editora, 2002.
5. Chiesa, Luiz Carlos. Musculación Racional: bases para
um entrenamiento organizado. Barcelona: Paidotribo. 2007.
6. Matveiev, L. P. Fundamentos do treino desportivo.
Lisboa: Livros horizonte, 1986.
7. Weineck, J. Biologia do esporte. São Paulo: Manole,
2005.
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